Operação da PF desmonta esquema que teria irrigado campanhas com dinheiro público

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10/6), a Operação Fundo Oculto para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, no Maranhão.

A investigação aponta a atuação de duas organizações criminosas que teriam utilizado empresas contratadas por prefeituras para movimentar recursos públicos e abastecer, de forma clandestina, candidaturas durante o período eleitoral.

Segundo a PF, o esquema funcionava a partir de contratos firmados com administrações municipais. Após os pagamentos serem realizados às empresas, os valores eram rapidamente sacados ou transferidos para contas de terceiros, dificultando o rastreamento dos recursos.

As apurações identificaram movimentações consideradas atípicas que chegaram perto de R$ 10 milhões, especialmente nas semanas que antecederam as eleições. Em um dos núcleos investigados, cerca de R$ 2 milhões teriam sido destinados a repasses ilícitos.

De acordo com os investigadores, um funcionário de instituição bancária em São Luís teria auxiliado a estrutura criminosa na operacionalização das movimentações financeiras.

A PF afirma que o grupo utilizava mecanismos típicos de lavagem de dinheiro. Parte dos recursos era retirada das contas das empresas e posteriormente distribuída por meio de contas de pessoas utilizadas como intermediárias.

Durante a investigação, foram apreendidos documentos e arquivos que, segundo a corporação, indicam a existência de controles paralelos de caixa dois, além de registros relacionados à distribuição de valores em espécie e estratégias para evitar fiscalização.

Até o momento, os investigadores identificaram 15 candidatos que teriam sido beneficiados diretamente pelo esquema ou que aparecem em negociações envolvendo possíveis repasses ilegais. A apuração também aponta a distribuição de recursos para servidores públicos.

Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento de um servidor público e o sequestro de bens que somam R$ 4 milhões.

A operação busca aprofundar a identificação dos beneficiários do esquema, rastrear o destino final dos recursos e recuperar valores que possam ter sido desviados.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica eleitoral, desvio de recursos públicos e outros delitos contra a administração pública.

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