TJ descobre plano contra desembargadora que mandou prender prefeitos

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina reforçou a segurança da desembargadora Cinthia Beatriz da Silva Bittencourt Schaefer (foto em destaque) após identificar indícios de uma possível trama criminosa que teria como alvo a magistrada. Ela é a relatora da Operação Mensageiro, uma das maiores investigações de corrupção já realizadas no estado.

As informações chegaram ao Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do tribunal, que passou a apurar o caso. Segundo os elementos reunidos até o momento, pessoas ligadas aos investigados teriam discutido formas de acompanhar a rotina e os deslocamentos da desembargadora.

Uma das hipóteses analisadas aponta que o grupo pretendia simular um acidente para mascarar uma eventual ação criminosa. O tribunal não divulgou detalhes sobre a investigação nem informou quantos suspeitos estariam envolvidos.

A suspeita surgiu após informações obtidas dentro do sistema prisional. Um dos investigados presos em desdobramentos da Operação Mensageiro teria comentado sobre um possível ataque contra a magistrada como forma de represália por decisões judiciais que resultaram em prisões e medidas cautelares.

Diante do alerta, o TJSC adotou protocolos de segurança adicionais e iniciou diligências para identificar a origem da ameaça e seus possíveis articuladores.

Cinthia Schaefer está à frente da Operação Mensageiro desde as primeiras fases da investigação. Deflagrada em 2022, a operação desarticulou um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de coleta de lixo e limpeza urbana em dezenas de municípios catarinenses.

Ao longo das apurações, 17 prefeitos foram presos preventivamente, além de empresários e agentes públicos. Segundo dados do Ministério Público de Santa Catarina, a investigação já resultou em 45 prisões preventivas, mais de 300 mandados de busca e apreensão e dezenas de ações penais.

Recentemente, a desembargadora também autorizou medidas relacionadas à Operação DNA do Crime, desdobramento da Mensageiro que teve como alvo pessoas ligadas ao setor de coleta de resíduos.

Natural de Porto Alegre, Cinthia Schaefer tem 64 anos, é desembargadora do TJSC e possui formação em Direito e Psicologia. Nos últimos anos, tornou-se uma das magistradas mais conhecidas do estado em razão da condução de processos relacionados ao combate à corrupção.

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